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► Noticiário de Imprensa |
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Revista Melhore – DBO Sul Editora – edição 42
Em busca de uma nova raça... Herdeiro do Blonde D’Aquitaine e do Nelore, o Blonel reúne característica de alta produção de carne. |
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A busca incessante por uma carne de qualidade juntou três criadores, Sérgio Malmegrin,da Estância Bella Mantiqueira, em Piracaia (SP), Eduardo da Rocha Leão, da Fazenda e Haras@zul e Branco, em Pedreira (SP) e Marcelo Kignel, da Fazenda Duquesa, em Bragança Paulista(SP), há cerca de 10 anos, para criar uma nova raça que proporcionasse, além de altas produções de carne, também rusticidade. Para isso, eles usaram do cruzamento industrial entre a raça francesa Blonde D’Aquitaine e o Nelore. ''Percebemos que o Blonde era o que melhor se adequava às regiões mais inóspitas. Em localidades com climas extremamente agressivos, até o Blonde, que é considerado o mais rústico na Europa, passa por dificuldades'', pondera Malmegrin. Os criadores perceberam que essa inadaptabilidade acontecia em função da cor da pele, casco e mufla dos animais. Detectados os problemas, o trio começou avaliar a possibilidade de criar uma raça sintética que se adaptasse bem em qualquer região brasileira. ''Fomos ver algumas raças sintéticas e percebemos que todas passavam pelos mesmos problemas das puras. Algumas tinham a mufla preta, outras não, o casco não era escuro e a pele era rosada'', recorda Malmegrin. Segundo ele, a maioria dos animais 5/8 não herdava a pele escura do Nelore. |
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Foi nesse ínterim que Malmegrin, Leão e Kignel conheceram Adriano Rubio, da Central de Inseminação Yakult, atual Sersia Brasil, que tornou-se o mentor técnico do Projeto Blonel. Eles decidiram aceitar a orientação de Rubio e fazer todo o processo de formação da raça por meio de inseminação artificial de touros provados. ''Escolhemos 300 vacas Nelore PO mochas e as inseminamos com sêmen de Blonde provados em sua qualidade maternal.Quando esses produtos nasceram, os machos foram abatidos e as fêmeas selecionadas. As melhores 1/2 sangue foram mantidas para a continuidade da seleção Blonel'', conta Malmegrin. |
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Sêmen de touros Blonel já foi usado para inseminar fêmeas da mesma raça. |
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No início, o projeto partiu de um berço de matrizes de seleção, no qual só foram usados touros provados. Eliminavam-se os piores e deixavam-se os melhores para reprodução. A primeira seleção, por tipo de animal, acontecia no nascimento; aos três meses de idade fazia-se outra seleção e, na desmama, mais uma. Animais que não alcançavam peso e conformação razoáveis, eram eliminados. Aos dois anos de idade, as fêmeas que não emprenhavam também eram descartadas. Segundo Malmegrin, priorizando a qualidade, foram escolhidos alguns touros do Programa Progenel, da antiga Yakult. ''Das 100 matrizes1/2 sangue inseminadas por Nelore nasceram os animais 1/4 Blonde e 3/4 Nelore'', conta Malmegrin. As fêmeas adultas foram inseminadas com Blonde preservando as caracterísitcas de maternidade, precocidade, boa cobertura de carcaça, fêmeas produtoras de leite e facilidade nos partos. Começaram a nascer os primeiros animais 5/8. ''Hoje, já temos um conjunto de animais nascidos a dois anos e meio e as primeiras fêmeas Blonel já foram inseminadas, também, com sêmen de Blonel''. De acordo com o pecuarista, os primeiros animais 5/8, chamados de bimestiços, já foram cruzados com outros 5/8 e os produtos devem nascer até o final de 2004. |
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A nova raça ganhou maior massa muscular, além de pelagem uniforme e similar à do 1/2 sangue. |
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Vantagens
O ganho de carcaça dos animais F1, comparado ao dos 5/8, segundo Malmegrin, foi excepcional. O criador afirma que uma fêmea 1/2 sangue a pasto pesa, em média, 14arrobas, enquanto uma 5/8 tem até duas arrobas a mais. ''Esse ganho se deve à participação do Blonde no cruzamento'', explica. Além de maior massa muscular, esses animais ganharam uma pelagem mais uniforme e similar à do 1/2 sangue. |
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Outro benefício do animal 5/8 se comparado ao F1 é o peso na desmama. Aos sete ou oito meses de idade, gera-se uma diferença de mais ou menos 20% entre os dois. Isso significa que ao desmamar um Nelore PO a campo com 220kg, um 1/2 sangue será desmamado com 245kg.Já o Blonel é desmamado com cerca de 260kg. Se houver algum tipo de suplementação alimentar, tanto para o bezerro como para a mãe, esses números podem ser ainda superiores. ''Nosso trabalho se baseia em dar o mínimo de suplementação. Adaptamos nosso rebanho às condições existentes no País'', garante Malmegrin. Na sua opinião, o animal deve se alimentar com Brachiaria Decumbis e sal mineralizado. ''Estamos em teste com creep feeding para os filhotes; hoje tem sais específicos para bezerros. Não é uma ração e nem um complemento de alto teor protéico, mas dizem que ele acelera a formação da flora do rúmen. O animal ganha em saúde, qualidade e peso. Vamos comprovar na prática'', observa. |
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Bezerros Blonel são desmamados com cerca de 260 kg. |
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No que diz respeito ao ataque de ectoparasitas, segundo Malmegrin, o Blonel tem o comportamento similar ao do Nelore. ''Enquanto vemos carrapatos se fixarem em animais de sangue europeu puro, incluindo o Blonde, o contrário acontece com o Blonel. Acredito que isso se dê pela qualificação da rusticidade decorrente da pele escura e do pêlo claro do animal. Queríamos passar para o 5/8 o grande poderio de carcaça do Blonde e a rusticidade do Nelore. Conseguimos'', comemora. |
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Atualmente, os criadores fazem três tipos de cruzamento. Blonel com Blonel, para dar continuidade à produção do 5/8 na fixação da raça sintética; Blonel com Nelore, para obter os 1/2 sangue; e Blonel com fêmeas F1 de outras raças, como o Simental e o Angus. Eles pretendem ver os resultados dos animais sintéticos com as fêmeas F1. ''O cruzamento de um animal 5/8 com uma fêmea 1/2 sangue vai gerar um produto de qualidade excepcional e bastante rústico. É o nosso foco'', comenta Malmegrin. De acordo com o criador, o próximo passo para a nova raça é usar o Blonel cobrindo a campo, em regiões extremamente exigentes. Segundo Malmegrin, os animais sempre recebem grande carga protéica na época da cobertura. ''É óbvio que consideramos que os reprodutores mais jovens terão perda maior que os mais velhos'', afirma. Os criadores do Blonel acreditam que, para garantir qualidade e eficácia para a raça, por enquanto, a inseminação artificial é a melhor ferramenta para qualificar as progênies.''Colocamos como obrigatoriedade na formação da raça a utilização da inseminação artificial, no primeiro cruzamento de touros que, também, vieram de IA de touros provados com progênie. Ganhamos muito tempo ao utilizar esses animais'', ressalta. Escolha No item rendimento de carcaça, um 1/2 sangue, segundo Eduardo Rocha Leão, obtém 57%. ''O normal de um produto cruzado do europeu com um zebuíno qualquer seria de 54%. O Nelore fica próximo de 52%, se for de procedência muito boa'', conta Leão. A idéia de utilizar o Blonde com o Nelore, e não com uma outra raça zebuína, de acordo com Leão, surgiu em virtude de o plantel brasileiro ser composto basicamente por Nelore.''Pensamos em facilitar o trabalho de quem optar por dar seqüência ao Blonel'', conta.Leão admite que poderiam ter escolhido alguma outra raça, se desejassem dar um pouco mais de habilidade materna à nova espécie. ''Buscaríamos, por exemplo, um zebuíno com características do Guzerá'', comenta. Contudo, justifica que, como utilizam sempre touros provados, escolheram sêmen de Blonde com características maternais. ''Assim, garantimos a linhagem materna, a linha baixa, capacitação de boa mãe, boa parideira, criadeira, que não abandona seu filho e dá leite suficiente para o desenvolvimento do seu filhote'',esclarece. Leite e carne Embora Malmegrin, Leão e Kignel tenham, cada um, a sua propriedade, o Blonel é criado no sul de Minas Gerais, em Pouso Alegre, município de Conceição dos Ouros, região conhecida por sua produção leiteira. Há algum tempo, os criadores das redondezas começaram a pensar na possibilidade de criar um bezerro que não fosse muito grande e nem necessitasse ser abatido com poucos dias de vida. Aproveitando essa brecha, os criadores do Blonel começaram a comercializar a nova raça com os pecuaristas locais. É nesses casos que Malmegrin afirma vender o Blonde para colocar nas vacas leiteiras. O raciocínio desses produtores, conta Malmegrin, é o seguinte: eles pegam 50% das melhores vacas de leite e continuam inseminando, para produzir novilhas de reposição. Os outros50%, compostos por novilhas inferiores na produção de leite, os pecuaristas cruzam com gado de grande carcaça, como o Blonde e, mais recentemente, com o Blonel. O resultado obtido é que, embora as matrizes não sejam significativas em produção de leite, elas criam bezerros extremamente superiores em qualidade de carne. Segundo Malmegrin, esse é um tipo de processo muito usado na Holanda, Portugal e França. ''Isso não desqualifica a região que se tornou conhecida pelo leite. O que acontece é que os produtores começam a criar animais de corte muito mais qualificados'', admite. |