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► Noticiário de Imprensa |
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GLOBO RURAL N. 252 – OUTUBRO DE 2006
Reportagens
PECUÁRIA Com vocês, o Blonel
Este bichão é um representante da mais nova raça sintética do mundo, uma criação brasileira que junta a rusticidade do nelore e o rendimento do blonde d’aquitaine para dar maior rentabilidade ao produtor
Fotos Kenji Honda |
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Há dez anos, os pecuaristas Eduardo Leão, Marcelo Kignel e Sérgio Malmegrim decidiram criar a raça de origem francesa blonde d'aquitaine, da qual eram fãs assumidos. Mas as boas qualidades do bovino não evitaram que ele sofresse com as altas temperaturas no interior de São Paulo e Minas Gerais, onde os criadores têm suas propriedades. Foi então que tiveram a idéia: por que não desenvolver uma raça parecida com o blonde e adaptada às condições brasileiras? Esse foi o ponto de partida para a formação do blonel, a mais nova raça sintética desenvolvida no mundo. |
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O touro Desejo, com 32 meses e 900 quilos, é um dos principais reprodutores da nova raça |
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Para chegar ao novo animal, os criadores contaram com a ajuda do superintendente do laboratório de inseminação artificial Sersia Brasil, Adriano Rúbio, idealizador da composição genética do blonel. No início, vacas nelore foram inseminadas com sêmen de blonde. Os cruzados foram bem recebidos pelos produtores. |
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A reprodução contínua de animais meio-sangue, entretanto, pode trazer desvantagens a longo prazo. Segundo Eduardo Salomoni, da Embrapa Pecuária Sul, especialista em gado de corte, esses animais híbridos não fixarão um padrão de raça, ou seja, alguns exemplares de sua descendência sairão bons e outros, não. "Com o tempo, a tendência é os bichos perderem a qualidade", diz Salomoni. Os pecuaristas decidiram que seria mais válido investir na produção de uma nova raça. Assim, buscaram juntar a rusticidade e a adaptabilidade do nelore ao rendimento e à precocidade do blonde d'aquitaine. |
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Malmegrim: raça permitiria aumentar a lotacão dos pastos na propriedade em 50% |
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Todos os touros blonde utilizados na formação da raça passaram pelo teste de progênie, que consiste em verificar se o animal tem capacidade de transmitir suas características positivas para os filhos. Esse processo acontece na França, de onde é importado o sêmen utilizado nos cruzamentos, e dura cerca de seis anos. O teste é bastante abrangente, incluindo a análise de rendimento de carcaça dos descendentes machos e a capacidade maternal das fêmeas. "Não adianta o boi ser bonito, ele tem que provar que suas qualidades são transmissíveis", diz o criador Sérgio Malmegrim. No caso dos nelores, foram usados os espécimes com a melhor qualidade genética disponível no Brasil. O resultado final foi um indivíduo com 3/8 de sangue nelore e 5/8 de blonde, respeitando a equação mundial para formação de raças sintéticas (veja o box com os detalhes). O blonel herdou do nelore características como o pêlo curto e claro, além da pele e cascos escuros. Esses atributos contribuem para a adaptação do animal às condições brasileiras, o que, segundo o pesquisador sul-africano Jan Bonsma, que desenvolveu a raça sintética bonsmara, deve ser a primeira coisa em vista na criação de gado. O novo bovino conta também com a precocidade do blonde. De acordo com Malmegrim, o animal, criado somente a pasto e feno, já atinge peso para abate em dois anos. Isso permite ao produtor aumentar em 50% a quantidade de gado na propriedade. |
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Para o pesquisador Salomoni, da Embrapa Pecuária, o produtor ganha muitas vantagens com raças sintéticas, pois elas permitem o aumento da produtividade sem perda de lucratividade. Segundo ele, esses animais já são quase 10% do rebanho brasileiro. "As raças sintéticas são as mais promissoras para o criador", concorda José Vicente Ferraz, analista especializado em pecuária da consultoria FNP. Segundo ele, não existe bovino ideal; o produtor deve buscar um que se adapte a sua região e à estrutura disponível. Para ele, um dos entraves para o crescimento dos sintéticos é a falta de reconhecimento por parte dos frigoríficos. "Infelizmente, no Brasil, não existe o hábito de pagar mais por qualidade", diz. |
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De acordo com Ferraz, o criador deve, porém, conhecer bem a raça antes de iniciar o trabalho com ela, pois esses animais são mais exigentes que o gado comum. Leão, Malmegrim e Kignel - que criaram também a Associação Brasileira de Blonel, com sede na capital paulista - têm hoje mais de 1.500 cabeças, dois terços no Centro-Oeste. "Todos os bezerros nascidos já estão vendidos", afirma Malmegrim. Segundo ele, os baixos custos no ciclo de engorda chamam a atenção de pecuaristas de todo o país, que compram animais ainda filhotes para fazer cruzamento em suas fazendas. De acordo com o projeto apresentado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, a produção de novilhos criados a pasto, durante 31 meses, custou 22,51 reais por arroba, cotada na época a 50 reais - um lucro de 120%. O blonel também se destaca pelo peso líquido dos cortes nobres. Isso se deve à baixa quantidade de gordura do animal, o que, segundo Malmegrim, não alteraria a maciez e o sabor da carne. Raças sintéticas A primeira raça bovina desenvolvida pelo homem foi a santa gertrudis. Criada em 1929, nos Estados Unidos, para agüentar as duras condições climáticas do Texas, espalhou-se para diversos países. Inclusive o Brasil, onde é o terceiro bovino de corte mais criado, de acordo com a associação nacional da raça. Conheça outros sintéticos que pastejam por aqui: |
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Produção de novilhos criados a pasto, por três anos, custou 22,51 reais por arroba |
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Juntando o brahman (ele próprio um "mix" de quatro raças zebuínas) e o aberdeen angus, surgiu o BRANGUS, de alta produtividade e carne bem marmorizada. O cruzamento do charolês com o zebu (indubrasil, guzerá ou nelore) dá origem ao CANCHIM. Rústico e precoce, produz carne de boa qualidade. Idealizado por Jan Bonsma, o BONSMARA é formado a partir do africâner e do shorthorn. Adaptado ao clima quente e com alta resistência a parasitas.
O Blonel A formação desta raça começa com a inseminação de fêmeas nelore com material genético de blonde d'aquitaine. As vacas nascidas desse cruzamento recebem sêmen de nelore, e suas filhas, sêmen de blonde. Os animais assim obtidos já têm a composição sangüínea desejada (5/8 de blonde e 3/8 de nelore), mas são acasalados entre si para gerar exemplares puros da raça blonel. |
